5 de agosto de 2009

☆ Prece de um cão ☆


Trata-me com carinho, querido amigo, porque não há nada no mundo mais agradecido do que o meu coração.

Não machuque meu espírito com a vara, porque embora eu esteja lambendo as suas mãos entre uma pancada e outra, a sua paciência e compreensão vão me ensinar mais rápido aquilo que você quer que eu aprenda.

Nem sempre eu estou certo, mas estou sempre querendo perdoar e ser perdoado.

Fale sempre comigo, pois a sua voz é a coisa mais doce, como você já deve ter percebido pelo abanar fogoso da minha cauda, quando ouço os seus passos.

Por favor, leve-me para dentro quando estiver frio e chovendo, pois sou um animal doméstico, não mais acostumado ao frio e à chuva.

Peço-lhe nada mais do que o privilégio de sentar-me aos seus pés, ao lado do coração.

Mantenha meu pote cheio de água fresca, pois não posso falar quando tenho sede.

Dê-me comida fresca para que eu fique bem e possa brincar e atender aos seus comandos, para andar ao seu lado e estar apto a lhe proteger com a minha vida, caso você esteja correndo perigo.

Não posso falar quando preciso de cuidados médicos ou quando devo tomar injeções, olhe para mim e observe se estou diferente, fugindo da comida e leve-me ao amigo veterinário, para uma consulta periódica.

E, meu amigo, quando eu estiver velho e não mais gozando de boa saúde, ouvindo e vendo mal, não faça nenhum esforço heróico para me manter vivo.

Tudo que lhe peço é que fique comigo até o fim, segure-me firme e fale comigo até que meus ouvidos não mais ouçam e meus olhos não mais vejam.

Texto extraído do livro:"O PRAZER DE PARTILHAR" de Walter José de Faé




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